| O Fanzine Expo, a famosa feira de fanzines do Anime Friends, sempre foi considerada a maior feira de fanzines do Brasil, que acabou sucedendo, após os desencontros, batalhas de ego e atropelos, o Fanzinecon. Nós do Estúdio Magyluzia estivemos lá mais uma vez no evento, sendo esta a nossa sexta vez nessa empreitada. E como somos veteranos, sempre temos uma visão bem crítica do evento, já que faz tempo que o romantismo e a sensação da novidade já nos deixou.
Por causa de compromissos pessoais e profissionais, só pudemos comparecer na segunda semana do evento. E pelo visto, fizemos bem. Sobre a primeira semana, deixo aqui o relato de nosso amigo Wallace “Nightwalker” Silva, autor do fanzine Spritual Energy Daibakuratsu:
"Ficamos no mesmo local... Porém, o evento todo mudou!!
Ano passado éramos vizinhos de Comix, Animix, card games, e um pouco mais afastados, Level Up e outros jogos de computação gráfica.
Dessa vez, tudo isso se foi, e ficaram, o palco cosplay (?), área de alimentação - bom -, batalha campal, brinquedos de pular etc, ....
Fora que as paredes que nos cercavam, e sumiram!! O lugar esta sendo reformado e bem as paredes de 4m q nos cercavam desapareceram pela metade direita!!
Pois é... triste dizer, mas como sempre não temos uma indicação decente, nem uma faixazinha de nada. Pra piorar, quando chove, e choveu, o vento frio - muito frio - leva os mangas mais próximos.
O publico está cada vez mais frio esse ano. Poucos param nos stands, ou ao menos olham pra gente. A impressão que dá é que eles não sabem o que esta olhando e que no fim estamos no caminho deles.
Nem preciso dizer q as vendas foram fraquíssimas.
Mas nos falamos tudo isso pro Fabrizio e bem, ele nos deu a esperança de um novo lugar a partir de quinta. Quem vai na segunda semana vai se dar bem com o nosso esforço."
OK, pensei cá com meus botões “acho que o Wallace estava exagerando, ou se não estava, tudo poderia ser consertado facilmente na segunda semana”.
Ledo engano...
Quinta feira, eis que chego ao evento, e a área destinada aos fanzines e... quase caí para trás! Colocaram os fanzineiros num prédio em RUINAS! Sim, vocês leram certo! Nunca imaginei em todos esses anos um lugar pior do que esse. Só explicando, o local do evento, chamado Mart Center está sendo DEMOLIDO, e já tinha dois prédios postos a baixo e este estava sendo o terceiro. Aliás, esse prédio em ruínas, abrigava também o palco cosplay, a área dos brinquedos infláveis e a praça de alimentação. Para vocês verem a precariedade do evento (que num todo estava bem mais debilitado que a edição 2008), mas tem mais...
Como esse prédio estava em ruínas, ele não tinha paredes em todos os lados. Então, ficamos quase que expostos ao tempo, já que apesar de ainda ter teto, nada impedia que o vento trouxesse a chuva junto com ele. Ficamos torcendo para que não chovesse nos dias do evento. Felizmente, só caiu uma chuva fina nos dois últimos dias do evento, bem diferente da tragédia relatada pelo Wallace na primeira semana.
Ainda para piorar, tinham os caras que montavam os brinquedos infláveis que na cara dura, invadiam a área de fanzines com seus enormes brinquedos. Considerando que alguns brinquedos, como a “árena para guerra de cotonetes” atraí uma multidão de torcedores, que fazia uma muvuca, que só queria zoar, e para variar não estava nem aí para fanzines, vocês já têm uma idéia de como isso nos atrapalhou . Mesmo com o pedido de alguns fanzineiros para tirar os brinquedos dali eles não nos escutaram e fizeram vistas grossas para a situação. A solução paliativa dada pela organização foi à gente perder 2 metros da área dos fanzines para ter mais espaço. Irônico, não?
Fora que sendo uma área de transito, muitas pessoas não queriam nem saber, apenas passavam para a praça de alimentação. Tanto virou uma passagem, que até um caminhão no começo do sábado passou, sem se importar com a segurança de quem estava ali perto, e por muito pouco não bateu numa carrocinha de comida (que também avançou para dentro da área de fanzines). Aliás, parte disso, se deu à demora na colocação das faixas de marcação da área do Fanzine Expo. Mas mesmo com elas lá, não respeitaram em nada as marcações.
Falando em respeito (ou falta de), na fila para a entrada, antes da senhora que cuidava da entrada dos fanzineiros chegar, muitos fanzineiros furaram fila e corriam (literalmente) para pegar os melhores lugares sem se preocupar com os que respeitosamente aguardavam na fila. Dificilmente esses vão sair da categoria amador continuando com uma postura como essa.
Fora que dos 130 fanzines escritos, seguramente metade não foi ao evento. No domingo (e somente no domingo) é que deveria ter 80 fanzines, muito abaixo do número do ano passado.
Apesar dos problemas, o público foi três vezes maior que do ano passado, então vários fanzineiros conseguiram vender mais que no ano anterior por conta disso.
Nós do estúdio Magyluzia lançamos o MangaK 6 com sucesso. A nova MangaK marcou também uma nova fase no nosso fanzine, que agora contará sempre com duas histórias fixas, a já tradicional história de humor Lunchtime, e a estréia da história de ação com temática sobrenatural Gun Spirit. A revista com nova diagramação e logotipo tive uma aceitação excelente, tivemos um aumento das vendas em 30%, e esgotamos a tiragem do MangaK 6, além de ter vendido bem os números anteriores. Outra coisa boa, foi o retorno de várias pessoas que compraram MangaK nos anos anteriores, voltando para pedir novos números. Muitos leitores novos se interessaram, incluindo um rapaz do Paraguai que comprou um exemplar do nº6 (justamente por gostar de histórias com temas sobrenaturais, tema que Gun Spirit aborda). É MangaK agora fazendo carreira internacional!
Foi bom, mas seria muito melhor se o evento fosse nos moldes de 2008 (em que ficamos neste mesmo prédio, quando ele ainda estava todo de pé, junto com os stands das editoras e web-rádios) que com certeza foi o melhor Fanzine Expo de todos os tempos. Acredito fielmente que em condições favoráveis, iríamos vender 2 ou 3 vezes mais que foi em 2009. Mas infelizmente não foi o que aconteceu.
Confesso que com minha experiência como autor independente, me senti desrespeitado. Não tenho idade mais para ser tratado dessa forma. Nós do estúdio Magyluzia fazemos a MangaK desde 2003, e já fizemos outras revistas muito antes disso. Sou experiente o suficiente para ver que o andamento do evento foi muito, muito errado, com uma péssima organização da Yamato Produções. Nós artistas independentes também somos parte do espetáculo, quer queiram ou não, e esse ano apesar de todo os contra-tempos, os resultados em números só comprovaram isso. O publico está nos prestigiando, existe um mercado, se for bem trabalhado. Mas para isso acontecer, temos que ter mais espaço e condições dignas para podermos trabalhar, coisa que esse ano foram deficitárias.
Apesar de tudo, ainda o Fanzine Expo é uma referência no gênero. A organização da Yamato Produções tem que trabalhar muito para corrigir seus erros desse ano no próximo evento e não deixar o padrão cair mais do que ele caiu esse ano. Ainda dá para consertar, é só querer e ter vontade para trabalhar.
Assim como nós do Estúdio Magyluzia temos sempre essa vontade de fazer sempre o melhor. E cada vez com mais vontade.
João Cláudio “Jet” Fidelis
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